"Achados é um Ensaio, na forma de livro de artista, apresentado como trabalho de conclusão da Pós Graduação em Práticas Artísticas Contemporâneas na FAAP, São Paulo.

Além do livro, o trabalho é composto por uma série de objetos em diferentes suportes.

"Achados" (Findings) is an Essay, in the form of an artist's book, presented as a conclusion paper and final project for Contemporary Artistic Practices - MFA at FAAP, São Paulo.

In addition to the book, the work is composed of a series of objects in different media.

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"R. é confidente de uma história, fatos desenrolados num espaço de tempo que podemos chamar de era dos Homens. Chegamos a R. não porque o tenhamos conhecido a ponto de lançar um interrogatório – tanto a esse respeito quanto sobre outros assuntos que parecem pertinentes –, mas simplesmente porque nos deparamos, ao mero acaso, com um breve relato de sua autoria e um conjunto de objetos guardados; supomos, façam parte dos seus pertences.

Por força de expressão damos a R. a posição de confidente: uma análise prévia do que encontramos sugere um certo alargamento temporal entre acontecimentos e achados, pouco relevante na extensão da palavra tempo, mas suficiente para desconfiarmos que, assim como agora queremos saber mais sobre R., o próprio gastou um bocado de seus esforços para tentar se conectar àquela história e lugar".

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O ensaio se desenrola como inventário de anotações de um quebra-cabeça visual e textual, flertando com um diário arqueológico, cujo enredo é a tentativa, por parte do narrador R., em (re)montar uma paisagem de acontecimentos a partir de pistas por ele coletadas. Trata-se de uma fábula que se coloca em suspensão: tempos são misturados, três diferentes narradores apresentam-se ao leitor, descrição se confunde com devaneio. Os objetos de R. são trabalhos plásticos e visuais.

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O narrador R., ao seu tempo, também se influenciou pelo jazz. Como modo de reconectar os elos dessa história a ser desvendada, os estudos de sua autoria utilizam alguns referenciais de improvisação presentes tanto nessa linguagem musical, como também no radicalismo da improvisação livre influenciada pela idéia deleuziana de rizoma. É, acima de tudo, seu jeito de ordenar os fragmentos do mundo. Vale-se, como recurso narrativo, da lembrança de situações que viveu, dos seus procedimentos de pesquisa e da fabulação. Por que não dos discos que ouviu?!

O futuro se antecipa ao presente e avisa: o narrador desconhecido que descobre R., inaugurando o texto, indaga sobre o ciclo de acontecimentos que provavelmente definiu os rumos da narrativa – e acometeu inclusive a experiência de R.

 

“R. is the confidant of a story, facts unfold in a time frame we can call the Era of Men. We reach R. not because we’ve known him to the point of starting an interrogatory – about this matter and others that seem pertinent -, but simply because we have found, by mere chance, a brief story he wrote and group of objects; we suppose are part of his belongings.

As means of expression we give R. the position of confidant: a previous analysis of what we have found suggests a certain temporal enlargement between facts and findings, little relevant in the extension of the word time, but enough for us to suspect that, just as now we want to know more about R., he has spent a lot of his efforts trying to connect to that story and place”.

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The essay unfolds as an inventory of notes of a visual and textual puzzle, flirting with an archeological journal, in which the plot is the attempt, by the narrator R., at re(assembling) a certain landscape of events from clues he collected. It is about a fable in suspension: times are mixed, three different narrators present themselves to the reader, description is confused with divagation. R.’s objects are plastic and visual works.

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The narrator R., in his own time, was also influenced by jazz. As a means of reconnecting the links of this story yet to be revealed, his studies use some improvisation references present in this musical language, as well as in the radicalism of the free improvisation influenced by Deleuze’s idea of rhizome. It is, above all, his way of organizing the fragments of the world. As a narrative resource he uses the memories of situations he has lived, his research procedures and fable. Why not also the records he has heard?!

The future anticipates the present and announces: the unknown narrator that discovers R., opening the text, wonders about the cycle of events which has probably defined the ways of the narrative – also interfering in R.’s experience.